terça-feira, 20 de junho de 2017

Onde Moras?

Moro por onde o vento passa
Um espaço eterno entre o inicio e o fim
Onde o inicio não tem começo
E o fim não tem tropeço.

Onde moras?
Ah... Por ai! 

Onde moras?
Moro onde a alegria prevalece
Onde os pássaros cantam 
A noite anoitece
e as águas encantam.

Alguns desistem,
outros insistem.

Onde moras?
Seu moço,
Eu não moro em lugar algum
Eu moro em mim,
Me deixe ser assim.

Sou livre, apenas.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Amor?


Quem é esse tal de amor?
De onde vem e o que ele come?
As religiões pregam amor,
As pessoas pregam amor...

"A única verdade é o amor!" Eles dizem...
Mas, o que é o amor então?

Não entendo desse tal de amor, 
Na minha vida ele sempre veio disfarçado...
Com uma voz doce e um brilho no olhar.
Mas um coração putrefato,
Como no conto do Barba Azul.

Estamos na era da individualidade,
O outro só me serve se for uma extensão de mim mesmo. 
As religiões?
Essas são escolhidas de acordo com sua serventia em meu modo de viver. 
E se amanhã eu mudar, que problema há?
Nenhum, Darwin comprovou em sua teoria da evolução das espécimes que: somente os seres adaptáveis a mudanças estão aptos a sobrevivência.

Em contrapartida "eu não vou me adaptar" é o grande jargão da mocidade.
Onde eu mudo todos os dias, mas não pra me adaptar, na verdade, quero que o outro se adapte a mim.
Será que sobrevivo assim? 

Difícil coexistir com tantas variáveis...
O homem em toda sua 'pré-potência' modifica o entorno,
procurando atender a si mesmo.

Existe amor genuíno afinal?
Porque o que tenho observado é um amor egocêntrico.
Onde o ser que habita em mim domina o ser que habita em você.
Isso é amor ou será que estamos enlouquecendo?

Talvez esse tal de amor seja um bicho, quase extinto, mas preservado em algum lugar.
Talvez ele seja como uma borboleta que aparece na primavera,
Ou então, um bicho arisco cansado de ser machucado,
Que se camufla como um camaleão, apenas pra se proteger.
Mas ele deve estar escondido em algum lugar.



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ingenuidade



Getty Images, todos os direitos reservados.
Viver é uma delícia, mas pra viver é preciso crescer. E crescer... Dói!

Dilacera a carne, os sonhos, a alma, e nada é mais doloroso que a dilaceração da alma.

Imagino o amadurecimento como um treino de musculatura... Você precisa forçar o rompimento dos músculos para que eles se regenerem e fiquem mais fortes, alguma semelhança com a realidade?

O crescimento significa a morte de sua ingenuidade é o momento em que abrimos os olhos pra vida e pra tudo que nos cerca, as decepções e dores tiram a venda dos contos de fadas e acordamos então em uma nova realidade, é uma queda... Que você pode decidir se trata-se de um abismo ou se é simplesmente uma nova perspectiva.

Algumas pessoas nunca 'acordam', passam a vida com um EU inventado e adaptado a qualquer outro eu, se esgueirando por entre as sombras e fantasiando uma realidade que não existe, anulando a sí e a tudo o que acredita... 

A auto-anulação é tão nociva a saúde, que uma pessoa cheia de vida e sonhos é capaz de se tornar mais um zumbi entre a sociedade, existem pessoas que se anulam de tal forma que sentem um vazio de si mesmas, como um abismo em si.

Pessoas que ao invés de buscar no seu proprio eu a completitude buscam em outros aquilo que não são capazes de proporcionar a si mesmo.

Chegam então as depressões, as tristezas, as angústias... E a pegunta que nos fazermos sempre é: "Porque?" nunca 'sabe' responder os motivos de todos estes questionamentos. 

Mas na realidade sempre se sabe o real motivo, resta perceber se você quer aceitar a verdade e entrar em seu abismo particular por um tempo, enfrentar seus monstros e no fim... Perceber que você é uma pessoa espetacular, e que a sagacidade na verdade é um presente!

Beijos de Luz!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Sonhos

Do you remember, Laura? by Lulina on Grooveshark


Talvez a geração de hoje não passe mais por isto, mas você que tem mais de 25 anos, sabe bem do que estou falando... Desde crianças, fomos ensinados que sonhar é para os ricos, que somos pequenos e que temos sonhos grandes demais para nós.

Tem uma música da Lulina, que fala exatamente sobre isso, e que me faz refletir muito sobre o assunto: 
"Quando era pequena eu achava que era grande, quando eu cresci eu encolhi..."
Quando éramos pequenos, tínhamos grandes sonhos, desejos e podíamos ser qualquer coisa que quiséssemos, porque tudo dependia apenas de nós e da nossa imaginação.

Já no fim da infância e inicio da adolescência, fomos ensinados que só seriamos pessoas sérias e confiáveis se tivéssemos uma vida a altura, eramos ensinados que os melhores profissionais são médicos, engenheiros e advogados. Que professores serão eternamente pobres e terão dificuldades de manter suas famílias, e que os artistas são vagabundos que não querem saber de trabalhar.

E as 'pessoas grandes' colocam na nossa cabeça que nossos sonhos são 'pequenos' demais, que temos que ser pessoas sérias, trabalhar para pagar nosso sustento e para ter uma família. 

Nossos pais não estavam de todo errados, afinal, essa foi a realidade que eles tiveram quando jovens, com baixas condições financeiras, num país onde a economia era totalmente decadente e onde as oportunidades, opções e empregos eram poucos, queriam que seus filhos tivessem uma vida digna e uma profissão que os garanta não passar por dificuldades financeiras.

E isso é o que os pais fazem, zelam por seus filhos da melhor forma que podem e isso não tem nada de errado!

Infelizmente, as pessoas grandes não nos ensinaram que quando somos realmente bons em algo e amamos aquilo que fazemos, as dificuldades tornam-se apenas mais um degrau pro sucesso, e que nenhum esforço é pouco para alcançar nossos verdadeiros sonhos.

Quando jovem, fui ensinada que a vida nas artes não era lucrativa, e que não teria apoio familiar para continuar nela, me ensinaram que a vida acadêmica não era satisfatória e que teria que estudar muito pra isso, acredito que essa tenha sido a realidade de muitas pessoas.

E na ilusão de que sermos bem sucedidos se tivermos as profissões das pessoas sérias e benquistas pela sociedade, abdicamos de todos os nossos sonhos pelo simples desejo de uma vida um pouco confortável.

O que não sabíamos, é que aquele sonho que era tão importante ficaria pra traz e que nem ao menos nos lembraríamos dele depois de adultos, depois que terminamos a faculdade, as especializações, temos um emprego digno, uma casa, uma família e que não temos mais tempo e nem vontade de começar de novo.

E morre ai, mais um sonho, e o conforto que ganhamos em nossa profissão na realidade resume-se na perda da juventude, na morte dos sonhos... Buscamos apenas a normalidade e já não vemos mais um arco-iris no céu. Tornamo-nos então, pessoas amarguradas, loucas pelo trabalho, que não tem sequer a oportunidade de acompanhar o crescimento de seus filhos.

Trabalhamos em demasia para dar uma educação decente a eles, vendemos um bem finito... Nosso tempo! E achamos que estamos nos sacrificando por nossos filhos, mas na realidade estamos sacrificando eles por nós, retirando deles o maior presente que poderíamos dar, nossa presença, e ensinando a eles que devem fazer o mesmo quando crescer.

Tudo em busca do conforto material, daquela semente que plantaram em nossas mentes... Para que nossos filhos possam ter o futuro que desejávamos ter e não pudemos.

Você percebe então que na realidade seus sonhos de antes eram grandes, mas os de hoje são pequenos demais.

E ai... Quanto tempo você vai esperar pra lutar por aquilo que realmente te faz feliz e superar as barreiras da normalidade e do preconceito?


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Amor em gôndolas

Getty Images, todos os direitos reservados.

Fazer compras nunca foi tão simples, basta ir ao supermercado, onde, por ordem de sessão  encontra-se as mais diversas utilidades,  com uma busca simplificada podemos adquirir diversos tipos de produtos, alternando entre cozinha, banheiro, esporte e até viagens.

E se essa introdução fosse escrita assim:

Encontrar um par perfeito nunca foi tão prático, basta ir ao facebook e com auxílio do Lulu e do Tubby saberemos por hashtags quais serão os escolhidos, é possível adquirir os mais diversos tipos de homens e mulheres apenas com buscas simplificadas de palavras-chaves, sendo capaz de proporcionar horas de prazer na cozinha, banheiro, esporte e até viagens inesquecíveis.

Acho um absurdo sem tamanho ter minha imagem sendo avaliada na internet sem minha prévia autorização! Principalmente com a indexação de dados, onde basta uma simples pesquisa no google para ser avaliada toda a sua vida! Alguém que simplesmente não 'curtiu' a sua cara, faz uma enquete sobre você e isto é tomado como verdadeiro?

Mas é claro que essa palhaçada não faria tanto sucesso se as pessoas não tivessem adorado a 'inovação', afinal, em um mundo onde a carência é sem tamanho o que importa é estar em evidência!

Ao que parece, muitas pessoas precisam dessa propaganda para se promover, inflar seu ego, se sentir melhor, vejo pessoas inclusive que pedem para amigos(as) fazerem avaliações sobre elas para auxiliar na promoção do marketing pessoal.

Sou da época que conhecíamos uma pessoa e pegávamos o telefone dela, depois de algum tempo trocava-se perfis do orkut onde servia apenas para troca de mensagens e visualização de fotos,  era pouca informação mas era bem bacana, porque eu podia escolher as fotos que iria colocar e de qualquer maneira a informação era estática.

Hoje vivemos em um tempo onde tudo que pesquisamos no google é utilizado para nos fornecer propagandas e spams por e-mail(isso mesmo, tudo o que você pesquisa e acessa forma um perfil sobre você), mal precisamos levantar a bunda da cadeira pra efetuar uma compra, então, por qual motivos iremos nos dar ao trabalho de conhecer alguém?

Fazemos amigos pelo facebook, trocamos ligações por whatsapp, chacoalhamos o live messenger. Então... Porque não facilitar ainda mais a interação? Já não basta ter uma rede social que diz sua preferencia musical, filmes preferidos, fotos, histórico de checkins e até como você está se sentindo, vamos perguntar pras pessoas que te conhecem o que elas acham de você, e pra aqueles que já experimentaram um pedacinho, vamos contar pra todo mundo como foi a experiência! Que tal?

Assim fica muito mais fácil, ninguém vai precisar passar pela fase de te conhecer, de perceber seus defeitos e qualidades, elas já sabem o que vão encontrar, e se você não for perfeito o suficiente, nem terá a chance de se apresentar, afinal, as redes sociais fazem isso por você!

Outro dia vi uma rede social de check in de coito, e eu então pergunto, a que ponto chegamos?


"Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse nossa interação humana. Então o mundo terá uma geração de idiotas." Einstein

Sabe, aquele negócio de conhecer, de ficar horas conversando, de ir ao cinema ou só dar uma volta no parque. Parece que tudo isso ficou tão desnecessário, vamos otimizar o tempo, vamos queimar etapas, partimos então, direto para o que interessa, a perpetuação da espécie! Afinal, a vida é curta.

São poucos os casais que se interessam, difícil mesmo são relacionamentos duradouros, aliás, ninguém quer mais saber de compromisso, o ideal mesmo é facilitar as coisas.

Sabe o que é mais estranho de tudo isso? Nunca vi tanta gente com depressão como tenho visto no ultimo ano, tantas pessoas se sentindo solitárias, tantos utilizando antidepressivos. Uma imensa dificuldade de aceitar os caminhos da vida...  É engraçado, que se existe uma quantidade satisfatória de ferramentas para aproximar pessoas, porque cada vez nos afastamos mais?

A verdade é que está todo mundo cansado de tanta exposição, essa falsa sensação de proximidade, as pessoas próximas mas ao mesmo tempo tão distantes umas das outras, e nesse falso companheirismo que as redes sociais proporcionam, arranjamos sempre uma forma de mendigar por afeto, atenção e carinho de pessoas tão desesperadas quanto nós.

Pena que todos se esquecem que a coisa boa de viver não é estar online no mundo digital, mas online em sua própria vida!


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