terça-feira, 10 de maio de 2011

Completude


Os animais são feitos de algo chamado instinto, que é tudo aquilo que garante a sua sobrevivência. Instinto é o próprio bicho animal, que define sua sobrevivência, o que inclui se alimentar e perpetuar a espécie, ou seja o violência e sexo, dois atos totalmente animais. E os seres humanos nada mais são do que animais racionais ( ou não ).
Partindo do princípio básico da sobrevivência, os instintos. O ser humano está sempre em busca de satisfazer-se de alguma maneira, pois não é diferente dos demais animais. Porém o ele definiu que para perpetuar sua espécie é necessário unir laços, relacionar-se, instituindo diversas formas de relacionamentos amorosos.
Esse 'modo de sobrevivência' causa no ser humano a busca constante de completude, pois nascemos com a sensação de sermos incompletos, como se faltasse um pedaço, ou metade.
Na Grécia existe uma historinha legal falando sobre o mesmo tema:

“O mito da alma gêmea
Aristófanes, poeta cômico grego, contemporâneo de Sócrates, afirmou que no começo os homens eram duplos, com duas cabeças, quatro braços e quatro pernas, esses seres mitológicos eram chamados de andróginos. Os andróginos podiam ter o mesmo sexo nas duas metades, ou ser homem numa metade e mulher na outra.
O mito fala que os andróginos eram muito poderosos e queriam conquistar o Olimpo dos deuses, e para isso construíram uma gigantesca torre.
Os deuses, com o intuito de preservar seu poder, decidiram punir aquelas criaturas orgulhosas dividindo-as em duas, criando, assim, os homens e as mulheres.
Segundo o mito, é por isso que homens e mulheres vagueiam infelizes, desde então, em busca de sua metade perdida.
Tentam muitas metades, sem encontrar jamais a certa. “ (Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. II, do livro A Filosofia e a Felicidade, de Philippe Van Den Bosch, ed. Martins fontes)

Essa sensação de incompletude sentida é algo mais profundo do que simplesmente uma mudança de hábito, faz parte do inconsciente coletivo da humanidade, onde as pessoas acreditam que só poderão ser felizes se estiverem com alguém. O que acontece é que as pessoas esquecem que é necessário possuir personalidade própria e preservar sua individualidade, pois é ela que atrai as demais pessoas pra sua vida. Uma pessoa sem individualidade é uma folha caindo ao vento, sem objetivos, apenas pairando lentamente em direção ao chão.
Talvez seja em função disso que o ser humano busca, incessantemente, por sua alma gêmea para preencher sua carência afetiva.
Agora vamos a questão... Se alguém sente-se tão incompleto, a ponto de alimentar uma carência e uma obsessão por companhia, isso deixa de ser saudável, e a pessoa passa a ser manipuladora, ciumenta, possessiva, buscando alguém que seja uma extensão de seu próprio ego, violentando-lhe a individualidade, ao invés de um individuo que possa lhe propor novas experiências, novas possibilidades.
E conseqüentemente atrai alguém que esteja buscando o oposto, ou seja, a anulação, logo surgem os problemas, as discussões, muitos casais levam isso adiante por insegurança, por não estar em si, não ter posse de seu próprio eu.
Nos perguntamos então, aceitar, buscar esse tipo de situação é saudável?! Lhe traz o sentimento de conforto e felicidade?
Acredito sim que somos seres incompletos, porém nascemos inteiros, precisamos de um outro ser inteiro para nos completarmos, e temos que aprender a conviver com isso, para que a completude seja uma dádiva, e não um objeto de posse, mas uma felicidade, o motivo de um sorriso todos os dias, e não de lagrimas.

Fica aqui uma mensagem para as pessoas que se anulam todos os dias.

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