quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Mentes manipuláveis


Assisti um filme que me fez pensar bastante em algumas situações na vida, o nome é Laranja Mecânica um filme alternativo do bem conceituado Stanley Kubrick, elogiado por uns e criticado por outros.

O enredo trata-se de um jovem(Alex) que gosta de praticar a violência juntamente com sua gangue, no meio de um de seus ataques é pego pela polícia onde tem de cumprir dois anos de cadeia e é submetido a um tratamento para eliminar a violência de sua mente, após o tratamento Alex torna-se incapaz de fazer mal a uma mosca, aproveitando-se de sua fragilidade é então que todos aqueles a quem ele prejudicou resolvem se vingar, e em um ato de desespero o jovem tenta o suicídio, com isso é usado como munição contra o governo que para reverter a situação resolve protegê-lo.

Enfim... O filme é muito interessante, mas não estou aqui para criticar o filme em si, o que chamou a atenção é a forma como a mente de Alex é manipulada durante o tratamento para sua cura. Um garoto bonito, inteligente, brilhante, transformado pela sociedade em um grande saco de esterco ambulante sem atitudes próprias, pois essa é a reabilitação imposta!

Se analisarmos a reação de indignação das pessoas ao assistir o filme, na realidade não é a "ultra-violência" ou as cenas de sexo em si que incomodam, mas a forma natural como a qual esses atos são tratados pelos jovens. Ao meu ver é isso que as pessoas sentem ao assistir o filme, principalmente nas cenas mais marcantes: "Como alguém pode fazer isso? A mãe deles não ensinou que aquilo era errado?", voltamos então ao ato de desbastar fazendo com que nos sintamos envergonhados, Alex e seus drugues aparentam não possuir o fragmento censurado em suas personalidades, o que faz com que seu parcela sádica aja sem exprobração.

Levo o tema ainda mais além, o tratamento imposto ao jovem para livrar-se da ultra-violência é a própria exposição a violência, de forma que ele não possa ser responsável, ou seja, responder por suas atitudes quando trata-se de infligir as 'leis' que lhe foram impostas, logo, não roubar, não matar, não brigar, não transar...

Quantas vezes somos podados como se nossos atos fossem totalmente incorretos? Isso abordando um contexto geral da vida, alguém colocou em nossas mentes que não podemos mentir, que não podemos trair, e tantas outras coisas que não são permitidas. Crescemos então com uma censura psicológica enraizada em nossas mentes.

Mas sabe o que nunca nos disseram? Que devemos tomar nossas decisões por nós e não pelas outras pessoas. Nos ensinaram a ser éticos, a agir dentro do padrão de "normalidade" e nos disseram que uma pessoa que não é aceita, não é feliz! Criaram as regras em scripts para que tivéssemos que segui-las.

Foram tão longe com essas afirmações que criaram leis, religiões, ditaduras... E nós, por não nos responsabilizarmos por nossos próprios atos, seguimos!

Pergunto-lhe então... Alguém, algum dia lhe ensinou o que é ser responsável? O que é ser fiel? O que é felicidade? Ou você simplesmente leu mais um script?

Não ser vingativo porque vingança não te agrega nada e cada um tem o que merece, não mentir pois toda traição é uma mentira, não trair não pelo outro, por achar que ele não merece mas porque você não merece, porque você não precisa, porque você se respeita e por se respeitar você quer que todas essas regras vão para o espaço, juntamente com núcleo da normalidade.

Devemos nos soltar dessas censuras impostas, destas regras, devemos agir de acordo com nossa índole.

Quando você toma uma determinada atitude e depois se sente culpado, já parou para se perguntar se o sentimento de culpa é porque você agiu diferente de seus princípios ou se é porque você agiu diferente da censura a ti imposta por vários fatores? Complicado diferenciar não é?

De que adianta pensar de uma forma, se agir de outra totalmente diferente? Um homem é medido pelos seus atos e não pelos seus sentimentos.


Você é fiel a sí ou se permite ser manipulado?


Obs. Este texto não trata-se de uma crítica ou uma explicação do filme Laranja Mecânica, mas de alguns de meus devaneios pessoais ao assistir o mesmo, Kubrick é gênio demais para que no momento eu possa expressar alguma critica infeliz a respeito desta obra de arte!

4 comentários:

  1. Adoro "Laranja Mecanica da Aflição"! (rs)

    Agora, aquelas pessoas que desrespeitam os outros: - foram ensinadas a ser "espertas"?; - são fdp* mesmo ?; - as duas coisas?

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  2. Penso que o sentimento de culpa nos aflige quando pensamos que fazemos papel de idiotas. Se alguém aprovar a sua atitude, o sentimento muda instantaneamente. E sabe-se que más atitudes sempre têm seus discípulos. Não precisamos de culpa; precisamos da platéia certa.
    Bjo

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  3. Preferível a interpretação de que ao invés de manipulado, foi devidamente adequado a novas regras de comportamento as quais demonstrava dificuldade em aceitar. É perceptível que o personagem passa de sádico a um estado passivo, passando literamente de suas negações até sua aceitação.

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Sua opinião é muito bem vinda!

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