quarta-feira, 18 de março de 2015

Sonhos

Do you remember, Laura? by Lulina on Grooveshark


Talvez a geração de hoje não passe mais por isto, mas você que tem mais de 25 anos, sabe bem do que estou falando... Desde crianças, fomos ensinados que sonhar é para os ricos, que somos pequenos e que temos sonhos grandes demais para nós.

Tem uma música da Lulina, que fala exatamente sobre isso, e que me faz refletir muito sobre o assunto: 
"Quando era pequena eu achava que era grande, quando eu cresci eu encolhi..."
Quando éramos pequenos, tínhamos grandes sonhos, desejos e podíamos ser qualquer coisa que quiséssemos, porque tudo dependia apenas de nós e da nossa imaginação.

Já no fim da infância e inicio da adolescência, fomos ensinados que só seriamos pessoas sérias e confiáveis se tivéssemos uma vida a altura, eramos ensinados que os melhores profissionais são médicos, engenheiros e advogados. Que professores serão eternamente pobres e terão dificuldades de manter suas famílias, e que os artistas são vagabundos que não querem saber de trabalhar.

E as 'pessoas grandes' colocam na nossa cabeça que nossos sonhos são 'pequenos' demais, que temos que ser pessoas sérias, trabalhar para pagar nosso sustento e para ter uma família. 

Nossos pais não estavam de todo errados, afinal, essa foi a realidade que eles tiveram quando jovens, com baixas condições financeiras, num país onde a economia era totalmente decadente e onde as oportunidades, opções e empregos eram poucos, queriam que seus filhos tivessem uma vida digna e uma profissão que os garanta não passar por dificuldades financeiras.

E isso é o que os pais fazem, zelam por seus filhos da melhor forma que podem e isso não tem nada de errado!

Infelizmente, as pessoas grandes não nos ensinaram que quando somos realmente bons em algo e amamos aquilo que fazemos, as dificuldades tornam-se apenas mais um degrau pro sucesso, e que nenhum esforço é pouco para alcançar nossos verdadeiros sonhos.

Quando jovem, fui ensinada que a vida nas artes não era lucrativa, e que não teria apoio familiar para continuar nela, me ensinaram que a vida acadêmica não era satisfatória e que teria que estudar muito pra isso, acredito que essa tenha sido a realidade de muitas pessoas.

E na ilusão de que sermos bem sucedidos se tivermos as profissões das pessoas sérias e benquistas pela sociedade, abdicamos de todos os nossos sonhos pelo simples desejo de uma vida um pouco confortável.

O que não sabíamos, é que aquele sonho que era tão importante ficaria pra traz e que nem ao menos nos lembraríamos dele depois de adultos, depois que terminamos a faculdade, as especializações, temos um emprego digno, uma casa, uma família e que não temos mais tempo e nem vontade de começar de novo.

E morre ai, mais um sonho, e o conforto que ganhamos em nossa profissão na realidade resume-se na perda da juventude, na morte dos sonhos... Buscamos apenas a normalidade e já não vemos mais um arco-iris no céu. Tornamo-nos então, pessoas amarguradas, loucas pelo trabalho, que não tem sequer a oportunidade de acompanhar o crescimento de seus filhos.

Trabalhamos em demasia para dar uma educação decente a eles, vendemos um bem finito... Nosso tempo! E achamos que estamos nos sacrificando por nossos filhos, mas na realidade estamos sacrificando eles por nós, retirando deles o maior presente que poderíamos dar, nossa presença, e ensinando a eles que devem fazer o mesmo quando crescer.

Tudo em busca do conforto material, daquela semente que plantaram em nossas mentes... Para que nossos filhos possam ter o futuro que desejávamos ter e não pudemos.

Você percebe então que na realidade seus sonhos de antes eram grandes, mas os de hoje são pequenos demais.

E ai... Quanto tempo você vai esperar pra lutar por aquilo que realmente te faz feliz e superar as barreiras da normalidade e do preconceito?


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